O que é a engenharia genética?
A variedade genética é fundamental para a viabilidade de cada espécie já que resulta em indivíduos diferentes entre si, com capacidades distintas de adaptação ao meio. As características de cada um podem ser passadas hereditariamente para os descendentes pela reprodução, sexuada ou assexuada.
Tirando partido deste facto, os agricultores foram seleccionando, durante milénios, as plantas que se distinguiam pela sua qualidade e rendimentos produtivos elevados. Fizeram-no ao longo de gerações sucessivas, encaminhando as espécies na direcção desejada. Assim foi possível transformar gramíneas e legumes selvagens em culturas como o milho, trigo e arroz.
Ainda que exista uma enorme variabilidade de organismos em cada espécie, a Natureza traça limites. Uma rosa pode cruzar-se com outro tipo de rosa mas nunca com um rato. Mesmo entre espécies muito próximas é praticamente impossível que tal aconteça com sucesso. Por exemplo, um cavalo pode acasalar com uma burra, mas a mula resultante deste cruzamento é estéril. Estas fronteiras naturais são essenciais para a integridade das espécies.
Em contraste com as formas tradicionais de reprodução e de melhoramento de espécies, a engenharia genética transfere um ou mais genes de um organismo (transgenes) para outro, com o intuito de lhe introduzir determinados traços ou características desejáveis. Este tipo de procedimento ultrapassa ou rompe fronteiras entre as espécies e altera-as naquilo que têm de mais fundamental – o seu património genético – defraudando assim toda uma relação que vinha sendo estreitada com o ambiente. O processo ocorre sem que se conheçam as suas consequências.